A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) acredita que os seus clientes são o elo mais fraco da corrente das fraudes bancárias e, por essa razão, estão dando início a uma ampla campanha de informação e educação dos correntistas.
A razão é bem simples: as fraudes eletrônicas representaram 300 milhões de reais em 2005, segundo dados da Febraban.
Leia: Fraudes eletrônicas somam R$ 300 milhões
Esse dinheiro saiu do bolso dos bancos brasileiros, que, na maioria dos casos, restituiu os clientes pelas fraudes.
Veja um guia com perguntas e repostas para as dúvidas mais freqüentes e aprenda a se prevenir das fraudes bancárias na internet, com base em informações de Marcelo Lau, do Núcleo de Ciência Forense da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Onde está o problema das fraudes bancárias?
Existem três formas de se realizar uma fraude na internet. Atacando o servidor, interceptando dados durante a transmissão e usando técnicas e táticas para roubar informações do usuário final.
Para os bancos, os dois primeiros itens estão fortemente protegidos e o elo mais fraco dessa corrente é o usuário final, que não se previne ou toma atitudes preventivas para evitar a falha.
Qual a táticas dos fraudadores para roubar senhas e informações?
As duas formas mais comuns, no Brasil, segundo a Febraban, são o scam e o phishing, ambos técnicas por e-mail.
O scam é geralmente um e-mail com uma mensagem falsa, ou com um cavalo-de-tróia, ou um arquivo, que se instalado na máquina do usuário, passa a coletar informações do usuário.
O phishing também é um e-mail, com um link que leva para um site falso, porém muito parecido com o original. Nele, o usuário digita suas senhas, que são armazenadas em um servidor e depois usadas pelo fraudador para fazer transferências ou compras.
Como as senhas são roubadas?
Se um cavalo-de-tróia é instalado na sua máquina, o fraudador pode ter acesso aos seus dados de duas formas:
1) Keyllogers, que captura teclas digitadas.
2) Screenloggers, que captura as posições do clique do mouse.
3) Telas sobrepostas: teclados falsificados ou telas do browsers, que solicitam um número de informações.
No caso de um phishing, o cliente acessa um site falso e digita sua agência, conta e senha.
Como identificar uma fraude?
Geralmente, os scams e os phishings são mensagens com muitos erros de português, mas, de forma geral, desconfie de e-mails de pessoas que você não conhece ou não esperados.
Na dúvida, não abra os arquivos e ligue para o seu gerente para saber se a mensagem é verdadeira.
Como evitar as fraudes?
As recomendações são simples:
1) Faça as atualizações periódicas de segurança do sistema operacional e do browser, recomendadas pelo fornecedor do seu software. A Microsoft, por exemplo, lança seu boletim toda segunda terça-feira do mês.
2) Tenha um antivírus (mesmo que gratuito) e o mantenha atualizado.
3) Instale um firewall e o mantenha bem configurado.
4) Não acesse links de e-mails suspeitos.
5) Tome cuidado ao acessar a internet de computadores de uso público, como os de cibercafés e os de hotéis.
Se fui fraudado, o que devo fazer?
Primeiro procure o gerente de seu banco e informe o fato. Ele vai orientá-lo a escrever uma carta de contestação.
As equipes técnicas dos bancos começam, então, a checar se houve de fato uma fraude, identificando quais os métodos utilizados pelos fraudadores.
Uma evidência importante para o banco é o número de pessoas que reclamam do mesmo golpe. Como os scams e phishings são enviados em massa para os usuários de internet, é difícil que apenas uma pessoa caia no golpe.
Na maioria dos casos, os bancos fazem o ressarcimento dos clientes. Ele não acontece se o banco constatar que não houve fraude, ou o cliente teve um comportamento considerado negligente.
O que é um comportamento negligente?
Os bancos não definem claramente o que é um comportamento negligente, analisando caso a caso, o que dá margem para julgamentos subjetivos e muita discussão com o cliente. Fornecer a senha e o cartão para terceiros podem ser tipificados como comportamentos negligentes. O acesso à a internet de cibercafés ou hotéis também foi citado como um hábito ruim dos clientes.
Fonte: Ralphe Manzoni Jr., do IDG Now! Terça-feira, 17 janeiro de 2006 - 16:18